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Saiba quais são os principais mitos e verdades na blindagem automotiva

A blindagem automotiva tem se tornado cada vez mais uma alternativa de proteção frente ao crescimento da violência urbana no país, não apenas nos grandes centros, como também, nas cidades litorâneas e do interior.

De acordo com o último levantamento da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) em 2013, foram blindados 10.156 no país, recorde pelo quarto ano consecutivo.

O número crescente de demanda faz encher os olhos de muitos oportunistas que na busca insana pelo consumidor mal informado, faz promessas arriscadas, perigosas e até algumas vezes, impossíveis de se cumprir. Fábio Rovêdo de Mello, da Concept Blindagens, revela alguns mitos e verdades que permeiam o universo da blindagem automotiva.

1. A blindagem de nível I, além de agregar muito menos peso ao carro, consegue suportar disparos de pistolas como a 9 mm.
A blindagem de nível I é permitida pelo Exército Brasileiro, órgão que regulariza e fiscaliza o setor. Esse nível, porém, garante proteção apenas contra disparos de armas de calibre 22 e 38, de acordo com a norma de resistência balística NBR 15000. Até por conta dessa capacidade limitada de proteção, não é a mais empregada no país. A blindagem mais praticada no mercado é a de nível IIIA, que acrescenta sim, mais peso ao veículo, dá maior segurança efetiva e suporta até tiros de pistolas 9 mm e de revólveres .44 Magnum, uma das mais potentes armas de mão. O próprio aparato da Segurança Pública é municiado com pistolas calibre .40 e, com frequência, são apreendidos armamentos de uso restrito com calibres superiores. Quanto ao peso, o que define o nível de blindagem é, justamente, o número de camadas dos componentes que constituem a blindagem. Assim, quanto maior o nível, maior a quantidade de material e, por isso, mais elevado o peso do veículo

2. Pneus podem ser blindados ?
Não existe blindagem de pneus. É possível, porém, que cada roda receba um sistema de proteção, que pode ser uma cinta de aço ou produzida por polímeros especiais. Esses dispositivos permitem que o veículo rode por alguns quilômetros a certa velocidade (dependendo do sistema aplicado e das características do mesmo), aumentando a probabilidade de deslocamento até uma zona de segurança. Fabricantes de pneus estão investindo em tecnologias nesse segmento. Uma das mais recentes alternativas desenvolvidas é o “Run On Flat Technology”, com grande grau de eficiência.

3. Com o uso da manta de aramida, não é preciso mais o uso de aço.
O avanço da tecnologia permitiu que a blindagem automotiva, que em outros tempos era feita quase que totalmente em aço, pudesse ser realizada com o uso de mantas de aramida, tecido formado por fibras muito leves, mas de alta resistência e de grande absorção de energia. Por ser muito flexível e maleável, sua instalação no carro deixa alguns pontos vulneráveis, principalmente nas extremidades, onde o fim de uma placa de manta se junta ao começo de outra, região chamada de “travamento de bordas”. Existem ainda outros pontos de vulnerabilidade. Nos modelos “SUV e “SW”, por exemplo, a tampa traseira também requer proteção diferenciada. Para sanar esses pontos, a instalação de sobreposições de aço é mandatória. O aço também é imprescindível em áreas consideradas complexas, como maçanetas, espelhos retrovisores e lanternas. Somente com a instalação desse material nessas regiões e nos pontos onde houver uma descontinuidade das mantas é que se garante efetivamente a proteção.

4. Existe blindagem barata, muito abaixo do custo praticado pela maioria das blindadoras.
O processo para se blindar um veículo é complexo e envolve uma série de profissionais especializados. O carro é totalmente desmontado, as peças recebem o reforço de forma personalizada, já que cada modelo, de cada marca, tem curvas e medidas específicas. Vidros originais são substituídos por vidros especiais, que garantirão a resistência em caso de disparos de arma de fogo. O uso desse material, somado à tecnologia que envolve o processo faz da blindagem um procedimento de custo elevado. Por essa razão, ao escolher uma blindadora, desconfie e fuja das que oferecem valores muito abaixo das demais. Para reduzir os custos, elas podem utilizar material insuficiente ou de menor qualidade para garantir a proteção desejada.

5. Garantias “mirabolantes” no segmento
TTem surgido no mercado uma onda de garantias estratosféricas, superiores até mesmo da data de existência de quem as oferece. Um verdadeiro contrassenso, assim como blindadoras que oferecem prazos de garantia superiores ao do próprio veículo. Desconfie de empresas que oferecem garantia superior a cinco anos, tendo em vista que os melhores e mais tradicionais fabricantes da aramida (blindagem da lataria) não excedem esse período. O mesmo cuidado vale para vidros, que necessitam o máximo de atenção, com formulações mágicas que prometem eternidade.